Consumo de Drogas


Hoje em dia a droga é um dos objetos de consumo ofertados pelo mercado e, assim sendo, é um produto a ser consumido!


Como previsto por Freud em 1930, o sujeito se recorre às drogas para aliviar os sofrimentos sentidos que ele nomeia de “incompletude fundante” visando buscar uma felicidade que foi perdida.


Portanto, a droga traz um alívio para o sujeito na esperança de eliminar sua incompletude frente à falta de ser feliz.


O que o sujeito busca, então, é uma poção mágica para cessar o sofrimento existencial, fazendo com que as decepções e desapontamentos, que naturalmente ocorrem na vida, sejam apagados, colocando o sujeito em um “estado nirvânico”.


Nesse sentido, é o não saber sobre as condições fundamentais que está em pauta - ou seja, o sujeito não quer saber nada sobre si próprio e sobre suas “verdades” para ficar na repetição de um gozo (um mais além de prazer) se desprendendo das determinações do outro.


Algumas drogas ainda servem como uma forma de se desprender dos laços sociais, se exilando num gozo autístico e autoerótico (de uma certa forma).


Sendo assim, muitas vezes o consumo de drogas de forma compulsiva busca segregar o sujeito do laço social para ficar na repetição do gozo, servindo de uma forma de não-dizer sobre seu mal-estar, que busca uma saída no real para mascarar outros sintomas e a verdade sobre o sujeito.





Independente da frequência em que o sujeito utiliza a droga, o que importa é o significado que ele dá para o consumo dela em sua vida (ou seja, cada caso vai depender).


Isso que foi dito, a partir de estudos da minha monografia, não é de forma alguma algo que deve ser generalizado! Mas sim para provocar reflexões!


O que o sujeito encontra quando se encontra nessa sua relação com o objeto-droga?


Isso nos remete à problemática dos novos sintomas que de uma certa forma provocam uma evitação do outro (isto é, se afastando dos laços sociais).


Algo do campo do social e das relações passou por modificações!


Pode-se dizer de um empuxo ao gozo = esse mais além do prazer que gera satisfação e também uma mortificação ou, como Lacan coloca no seminário 17, algo que começa como uma cosquinha e termina em chamas! Esse gozo é algo que não serve pra nada, ou seja, algo que busca não fazer sentido algum! Consequentemente, todo o repertório do sentido começa a falhar! E a droga, então, pode ser pensada como uma busca desse não sentido, desse não pensar, desse não dizer.

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