Esclarecendo Alguns Sintomas

Esclarecendo e Desmistificando alguns Diagnósticos, Transtornos, Nomeações e Sintomas que estão sendo bem comuns no mundo contemporâneo. Deve-se tomar cuidado com essas definições que são feitas de forma míope e banalizada. O mundo de hoje é de nomeações excessivas que são dadas à diversos comportamentos, porém, a psicanálise ensina que devemos analisar por detrás dos comportamentos, onde se encontram questões mais profundas que requerem uma elaboração e re-significação.



DEPRESSÃO:

A depressão se tornou um mal-estar do mundo de hoje. Entretanto, também se tornou um diagnóstico muito banalizado que foca apenas em sintomas. É importante lembrar que o sujeito sempre deve ser escutado para além de seus sintomas, dando voz a isso que o toca e marca a sua história. A depressão é muito associada com a ideia de tristeza, mas não se trata disso, pois a tristeza também tem seu lugar em nossas vidas! A depressão, quando patológica, se associa mais à uma morte subjetiva em que o sujeito vai “desistindo” da vida aos poucos! Há, além de um sintoma de depressão, a Melancolia, que diz algo mais da estruturação subjetiva de um sujeito! Importante nos atentar, portanto, à inúmeros detalhes o que faz de cada caso, um caso singular! Sendo assim, torna-se necessário que você coloque em suas próprias palavras o que passa com si próprio, dando espaço para elaborações e re-significações particulares!



TRANSTORNOS ALIMENTARES:


A relação com a alimentação é um reflexo da pessoa como um todo. Você tem fome de que? É uma pergunta pertinente para essas situações. Quando se trata de compulsão, muitas vezes as pessoas tentam preencher um vazio de suas vidas com a comida, desencadeando em uma gula voraz. As relações com alimento também podem estar ligadas às relações maternas, uma vez que a mãe é a primeira fonte de alimento (através da amamentação) para um sujeito. Mas, como todo caso, há de se pensar o que tem de particular em sua história que faça da relação com a comida, uma relação sintomática. Elaborando isso, você pode apostar em outras saídas e encontrar outro lugar para seu sintoma.



ANSIEDADE:


Somos sujeitos constantemente ansiosos. O mundo de hoje cobra muitos resultados e as competições só aumentam. Trata-se de um mundo acelerado, e, com efeito, nos tornamos sujeitos acelerados! O excesso de opções e de transformações também contribuem com o aumento da ansiedade, já que poder escolher implica também em não escolher várias coisas, causando inseguranças e insatisfações com o que é de fato escolhido. Os sintomas de ansiedade, então, se proliferam como uma epidemia. Mas eles podem ser trabalhados quando abre-se um espaço para que o sujeito fale de suas questões particulares, podendo se escutar e se desprender aos poucos das demandas sociais excessivas. Com isso, abre-se um espaço, também, para o sujeito situar e sustentar os SEUS desejos, se colocando em movimento em SUA história.



ESTRESSE:


O mundo de hoje é o mundo acelerado, de constantes mudanças que produzem sujeitos estressados o tempo todo. Somos exigidos à produzir excessivamente e segregados do laço capitalista quando não alcançamos sucesso. Importante que o sujeito encontre um espaço para falar de si, para desacelerar e se separar dessas demandas incessantes da sociedade e, dessa forma, encontrar o lugar do seu próprio desejo em sua história. O estresse, além disso, muitas vezes leva a pessoa ao ato, ou seja, a responder suas questões com o corpo e com o físico, o que demonstra uma dificuldade de simbolizar e lidar com as questões por meio da palavra. Logo, "fale mais sobre isso", SEMPRE!



CRISE DO PÂNICO:


Os ataques de pânico normalmente acontecem quando a ansiedade e a angústia encontram saídas pelo corpo. Nesses casos, o sujeito usualmente sente a constante sensação de perigo, muitas vezes convertido no físico, o que faz com que tenha a sensação de estar morrendo: aperto no peito, falta de ar, desmaios, entre outras manifestações. Mas não se trata de problemas biológicos, e sim de questões psíquicas que são convertidas para o corpo, desencadeadas devido à uma intensa ansiedade. Em muitos casos, essas pessoas estão passando por momentos angustiantes de suas vidas e, portanto, é necessário que encontrem palavras para expressar-se para que o corpo não seja o único lugar para exprimi-las. Mais uma vez, utilizar da palavra para elaborar nossas questões é de fundamental importância. A nossa saúde física implica também em ter saúde mental, dado que o corpo responde à nossa mente o tempo inteiro!



TOXICOMANIA:


A toxicomania diz respeito à um consumo intenso de substâncias tóxicas que, muitas vezes, é uma medida paliativa que o sujeito encontra para lidar com sua angústia, como uma forma de NÃO-SABER sobre suas questões fundamentais e se fechar em um gozo com a droga. Mas, é claro que cada relação com a droga vai se dar de forma particular. Sendo assim, é muito importante que o sujeito tenha um espaço para falar sobre suas questões, elaborando-as e encontrando soluções menos mortíferas que a toxicomania. Torna-se essencial a escuta qualificada de um profissional de saúde mental para conduzir-lo neste processo. É importante abrir um espaço para elaborar o que está em jogo nesse consumo...isto é, o que o sujeito encontra, quando se encontra com o objeto-droga. A resposta para essa pergunta sempre será singular e, por isso, assim também deverá ser o tratamento!



BIPOLARIDADE:


Alterações de humor podem estar relacionadas com aspectos biológicos (desbalanceamento hormonal ou problemas neurológicos), como também com aspectos psíquicos. O nosso estado de humor é uma resposta à outras questões e, por isso, importante investigar o que a pessoa tem a falar sobre sua história para entender o que provoca essas alterações. A bipolaridade também é um diagnóstico que tem se tornado banalizado, pois não se pode ter momentos de tristeza seguidos de felicidade que já carimbam um nome e receitam uma medicação... mas a vida é feita de altos e baixos e, por isso, é SEMPRE importante olhar para o contexto do sujeito em busca de entender o lugar de seus sintomas. A bipolaridade ainda pode ser consequência de questões estruturais do inconsciente, havendo necessidade de um manejo mais cuidadoso. Logo, dentre tantas questões a se pensar, é importante que seja dada uma devida escuta para a singularidade do seu caso!



TDAH:


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) se tornou uma nomeação contemporânea para sujeitos que manifestam uma falta de atenção, dificuldade de concentração e uma agitação intensa. Muitas vezes são tratados à altas doses de remédios (Ritalina) que visam controlar esses comportamentos. Entretanto, somos sujeitos muito mais complexos, havendo sempre questões por detrás de nossos comportamentos. É usual que esse diagnóstico seja dado para pessoas (normalmente crianças) que estão vivendo momentos angustiantes de suas vidas, que fazem com que o corpo fale por elas, quando elas não conseguem ou não encontram lugar para ter voz. Esses sintomas podem ser, ainda, uma forma de chamar atenção das pessoas próximas, na tentativa de ganhar um lugar no desejo delas (comum quando a criança ganha um irmão ou está numa fase de separação dos pais). Com isso, como em todo caso, torna-se essencial que esses sujeitos encontrem um lugar para falar e elaborar suas questões por detrás do sintoma TDAH.



AUTOMUTILAÇÃO:


A automutilação se tornou um sintoma comum no mundo contemporâneo. É um forma que os sujeitos encontram para sentir sua dor no físico, isto é, de levar ao corpo isso que o angustia psiquicamente. Onde faltam palavras, vem o ato. Por isso, torna-se essencial um profissional de saúde mental para que o sujeito possa elaborar melhor esse ato, utilizando da fala, que é um recurso simbólico importantíssimo, para isso. Deve-se ouvir a história do sujeito no todo, entendendo o lugar desse sintoma para que ele encontre outras saídas para isso que o marca!


Como vocês podem ver, essas desmistificações e esclarecimentos nos colocam para refletir que em todo caso, independente do sintoma que a pessoa apresente, é muito importante que ela elabore suas questões por meio da fala e que a condução do tratamento seja individualizada a partir de uma escuta aguçada para o que há de singular em cada caso!

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