Fazer-Amarração e a Clínica do Real

Um outro tipo de clínica é a do real!


Lacan fala de três registros psíquicos: simbólico, imaginário e real! Sendo que o real não é a realidade, mas aquilo que é indizível, inapreensível, o que escapa da palavra! É algo muito vasto em Lacan, mas pode-se fazer um recorte e pensar que a clínica do real é considerar que há sempre algo de incurável no sujeito! Existe um resto que é inassimilável, mas que não significa que nada pode ser feito dele: é colocar em questão que tipo de parceria pode ser feita com isso que é incurável!


Trabalha-se com cortes no metabolismo de gozo do sujeito, isto é, o analista intervém por meio de uma operação, mas para poder promover amarrações posteriormente! Deve haver um artifício, isto é, um ofício artístico por onde a emenda e a costura vai se dar!




Pode-se dizer, assim sendo, que como o fazer-falar pertence a clínica do simbólico (como coloquei no post anterior), o fazer-amarração pertence a clínica do real!


Mas como fazer-amarração?


Através desse artifício: a partir de invenções, de montagens, utilizando os “trecos” do sujeito e o que ele tem de elementos! (ainda mais que na clínica contemporânea aparecem muitos casos em que os sujeitos falam pouco, não havendo recursos significantes para escutar e colocar em trabalho).


Trabalhar com os trecos é trabalhar com aquilo que pega o paciente: trazer para dentro do espaço analítico isso que o pega, podendo ser música, desenhos, livros, filmes... aquilo pelo qual o paciente se interessa possibilianto que ele coloque a “mão na massa”, utilizando da materialidade e do ato analítico!


Demonstrando, portanto, que o fazer-falar nao se reduz a linguagem, até porque Lacan já mencionava sobre um significante vivo (Sem 11) que não diz necessariamente de algo da cadeia linguística, podendo ser concreto!


Logo, o ato analítico e a clínica do real implicam em sair de posições standards, trabalhando com aquilo que é possível dentro da singularidade de cada caso! É preciso reinventar o ato analítico para colocar o paciente para inventar artifícios!


Referência: seminário sobre a prática clínica na atualidade com o Psicanalista Alexandre Simões

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