Mas, então, o que é o inconsciente

O inconsciente é o objeto de estudo da psicanálise. Mas o que é o inconsciente?


Essa é um pergunta difícil de responder, pois o conceito de inconsciente é algo que foi sendo repensado ao longo do tempo. Ele começou antes de Freud com alguns filósofos, como Schopenhauer, mas foi com Freud que essa ideia foi sistematizada. Ele notava, a partir de atendimentos clínicos enquanto neurologista, que tinha algo, do qual se passava imperceptível, que estava por detrás de várias questões dos sujeitos.


Freud pensava o inconsciente como DESCRITIVO (há um fato inconsciente  – que é para além da consciência), DINÂMICO (o inconsciente funciona dinamicamente, fazendo o sujeito atuar), e SISTEMÁTICO (é uma parte do aparelho psíquico que tem um funcionamento próprio; opera de outra forma; tem outras leis de linguagem).  Ou seja, o inconsciente é um sistema diferenciado que tem características próprias e um funcionamento diferente.


Freud considerava o inconsciente como um saber em ciframento, isto é, algo que estava disfarçado e que precisava ser decifrado e interpretado. Pensar que o psíquico é análogo a consciência é uma ideia, portanto, equivocada. O nosso psiquismo (a nossa mente) é formada também pelo inconsciente, que é essa estrutura que se sustenta em lacunas (como colocou Freud).


Existe a famosa analogia do iceberg que ilustra que o consciente é a ponta e o que está debaixo d’água pode ser pensado como o inconsciente. Isto é, tem algo que não é aparente mas que está lá…


Lacan aprofundou os conhecimentos de Freud e fez uma releitura do inconsciente. No anos 1930-40, ele pensava o inconsciente mais do ponto de vista imaginário. Depois, nos anos 50 e 60, ele deu ênfase ao inconsciente como simbólico e a partir dos anos 70 foi em direção ao inconsciente como real. Há então a noção do inconsciente estruturado como linguagem até a noção do inconsciente como parlêtre.


Pode-se perceber com essa leve consideração teórica, então, que o conceito de inconsciente é muito mais complexo do que pode-se pensar e vem sendo repensado, como pontuei, ao longo dos anos.


O inconsciente é, sobretudo, uma falha, o lapso em si (e não apenas sustentado em lapsos). Por isso, a tese de Lacan:

“sou aonde não penso”

mostra que tem um lapso aí, essa falha, que faz parte de nós mas que não chega ao nosso pensamento = à nossa consciência.





Gosto de citar essa frase de Simões para poder pensar sobre o que é o inconsciente:


“o inconsciente é o estranho que habita em mim”.

É aquilo que fala em mim, que eu não conheço, mas que me atravessa e me faz tropeçar e mancar. É como uma pedra no meio do caminho, mas uma que não dá para tirar. Precisa-se aprender a lidar com a pedra e enxergá-la como uma parte do caminho. Ou seja, enquanto ignorarmos o inconsciente, ele vai continuar nos fazendo tropeçar e vamos desviando do nosso caminho (nossos desejos, nossas questões, nossas demandas, etc) sem notar. Ao trabalhar com o inconsciente não é que não vamos tropeçar nas pedras mais, porém vamos calcular esse tropeço e saber o que fazer com ele, retomando o caminho que nos convém.


Apesar de Jung não ser da psicanálise (e sim da psicologia analítica), tem uma frase clássica dele que acho super pertinente e colocarei aqui novamente para fechar essa reflexão:


“até você se tornar consciente, o inconsciente vai dirigir sua vida e você irá chamá-lo de destino”

Importante nos atentar à essas questões e entender que tem muito em nós mesmos que não conhecemos!

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