O vai e vem de uma Análise

Na análise não se lida com linearidade: não se trata de um ponto de partida e de um ponto de chegada, e sim de um vai e vem que segue um movimento espiralar: há um retorno, mas um retorno que comporta um avanço. O retorno (o vai e vem da análise) vai se dar em diversos pontos: sintomas, questões, queixas, demandas, embaraços, desejos, sonhos, atos falhos, etc. Trata-se de um trabalho e não de uma mera resistência do paciente. Esses momentos de retorno, portanto, fazem parte do trabalho analítico e não querem dizer que o processo está regredindo, pois, vale enfatizar que há um vai e vem, mas há um avanço nesse vai e vem.


Há, ainda, um giro e uma espiral entre duas vertentes: uma que comporta uma perspectiva produtora de sentido, e outra que comporta uma perspectiva onde o que se coloca em jogo é o metabolismo do gozo.


A primeira vertente faz parte do percurso de uma análise: trata-se de produzir sentido através de palavras (significantes), de pontuações do analista. Essa produção de sentido acaba comportando um efeito terapêutico, o que não é o propósito em si de uma análise, mas ela não deixa de passar por esse ponto, se não o processo seria insuportável para o sujeito.


Já a segunda vertente, que é crucial, se dá por meio de cortes – intervenções do analista, tempo da sessão, espaçamento entre as sessões e o manejo da transferência (do vínculo entre o psicanalista e o paciente) – algo que expliquei com mais detalhes no post: "O analista e os Bisturis" Para poder trabalhar com os cortes, no entanto, o analista precisa estar o tempo todo trabalhando também com a produção de sentindo. Ou seja, também há um vai e vem do próprio fazer analítico.





Importante essa reflexões para entender que os efeitos de uma análise não são lineares, o que não quer dizer que eles não existam!


Referêcia: Seminário sobre a prática clínica na atualidade com o Psicanalista Alexandre Simões

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