Qual o sentido da vida?

Qual o sentido da vida?




Essa é uma pergunta frequente para a maioria das pessoas. O sentido da vida não é dado, ele é construído por cada um, à sua maneira. Muitos tentam encontrar uma garantia de sentido em suas crenças, mas no próprio sentido não se há garantias...pois há, sim, uma falta de sentido na vida, que deve ser preenchida de forma particular e individual para cada um. Não existir um sentido pré-estabelecido, não desmerece o valor da vida, e sim enfatiza a necessidade de cada um encontrar o seu sentido, suas soluções e suas saídas para continuar caminhando. Pode ser que o sentido que fazia sentido para você em um dado momento, não faça em outro, e isso exige também que você reinvente o sentido. Muitas vezes esse sentido também pode ser elaborado através da própria fala em um processo de autoconhecimento: para que você possa se escutar e entender melhor qual o significando e os significantes que você atribui à vida. E encontrar um sentido na vida, mesmo que da sua forma, é fundamental.


Certa vez me deparei com o caso de um paciente com ideações suicidas que alegava não haver sentido na vida, argumentando que, por isso, não fazia sentido vivê-la. Nesse caso, quando pontuei que ele estava então dando um sentido para a sua possível morte através de um não-sentido da vida, isso colocou-o para refletir que não somos obrigados a construir um sentido para a vida, mas é inevitável que de uma forma ou de outra isso seja construído dentro da singularidade de cada um.


Não trata-se de construir O sentido, e sim de um sentido, do SEU sentido.


Mas sim, a falta de sentido pode aparecer, pois como sempre venho pontuando por aqui, a falta faz parte da vida. Por mais que saber que algo sempre falta possa angustiar mais ainda em certos momentos, em outros pode apaziguar quando se abraça essa falta e passa a enxergá-la como parte da vida. Isto é, o vazio que ela provoca pode ser menos doloroso quando tenta-se aceitá-la. E, da mesma forma, o sentido da vida pode ser mais fácil de ser elaborado quando se entende que depende da suas próprias elaborações. Qual o sentido que você dá a vida? O que te faz querer continuar caminhando?


Importante conectar isso ao momento atual, quando até a própria ciência, vista como a que tudo-sabe, demonstra um furo em seu saber diante da pandemia, ainda sem soluções. Ou seja, até a ciência é faltosa em seu saber. Então o saber que colocamos sobre a vida, por vezes, pode se demonstrar faltoso e, por isso, importante não só abraça-lo e acolher os furos do próprio sentido, como também saber refazer esse sentido quando necessário (claro que de uma forma sutil e muitas vezes imperceptível). Importante reinventar os sentidos e, às vezes, encontrar outros sentidos.

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