Reflexões Quarentena

Dessa vez, convido vocês a refletirem comigo através de um texto que escrevi sobre a quarentena, dando ênfase à voz e a palavra.



Olá! Estou aqui de novo, mas agora, de uma forma diferente. Em um mundo com tantos estímulos visuais, eu quis enfatizar um pouco a voz, a palavra. E a minha reflexão de hoje vai ser sobre a quarentena e o que a gente vem vivendo. Primeiro eu queria pontuar que o coronavírus nos apontou para o real da vida, que é esse imprevisto e esse inesperado, aquilo que foge do nosso controle, aquilo que aponta para o vazio. Ele vem nos mostrar também o furo que existe no saber. É um vírus sobre o qual um saber falha…cada hora, falam uma coisa. Por mais que a ciência busque tudo resolver, tudo responder e tudo solucionar, ela também falha. Mesmo sendo carregada de um poderoso discurso, tem algo que manca, que tropeça, assim como tudo na vida. De qualquer forma, foi um momento que nos surrpreendeu e ainda vem nos surpreendendo. Quando a gente acha que tudo isso vai acabar, a curva aumenta e o tempo de isolamento se prolonga. Então, trata-se de um momento que intensifca nossas angústias, nos colocando de frente com o nosso desamparo e com o fato de que somos vulneráveis. Logo, tem algo que falta, já que não conseguimos dar conta de tudo. Portanto a gente passa a perceber com mais ênfase, talvez, que não temos garantias: de saúde, de bem-estar, de economia…mas na verdade, a gente nunca teve, só que isso se escancara. E o que acontece é que a gente tenta encontrar firmeza, afinal não dá para viver no vazio. Por isso, tentamos nos reinventar dentro das possibilidades. Nesse contexto, passamos várias atividades para o ambiente virtual. Sim, é preciso saber-fazer com o que é possível, e o virtual se tornou uma possível solução. Mas há que se pensar sobre os seus efeitos. Parece que o ambiente virtual nos oferece várias possibilidades, mesmo assim, muitos relatam se sentirem cansados, entediados e desgastados. Porque apesar de podermos incluir a voz e o olhar na câmera e nos vídeos, falta uma ambientação física que inclui o corpo. Então, isso parece nos exigir maiores esforços que o normal para nos fazer presentes, ali, na tela. Logo, por mais que o virtual vem ganhando mais corpo, ele tem os seus limites, e tem algo do nosso corpo, que fica de fora. Portanto, é preciso pensar que, por mais que abrimos o olhar para novos possíveis e vimos que damos conta de certas coisas, que, talvez, nem imaginávamos…Também vimos que continua difícil, que continua angustiante, que continua paralisante. Por isso, não se cobre de tudo dar conta…agora, mais do que nunca. Acolha suas limitações, respeite o seu tempo, não lute com as suas angústias. Mas também não se paralise, pois pode doer mais ainda. Continue caminhando dentro daquilo que você da conta, e entenda que tudo na vida tem um limite, ou deveria ter. E o excesso nos leva há um mais-ainda que não cessa e nos conduz à vários tipo de overdose. Ou seja, o excesso tem um caminho mortífero. Por isso, cuidado com os ideais inalcançáveis. Cuidado com os discursos que, em plena pandemia, impulsionam o “faça mais”, “seja mais”, “produza mais”. Não é atoa que na palavra intenso, tem tenso. Portanto, vá no seu rítimo e tente encontrar as suas soluções, entendendo que cada caso é um caso. Isto é, cada um sente e vive esse momento de forma diferente, singular. Assim sendo, não se deixe de lado, não se padronize. Apesar da pandemia ser mundial, a forma de lidar com ela não é universal. Olhe sempre para a singularidade da sua história, pois, mesmo em um contexto histórico, há algo ali que só diz respeito à sua vida. Para finalizar, a reflexão que eu quero deixar, é que muitas vezes é preciso abafar os barulhos do mundo para se escutar.

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