Uma crítica aos Manuais de Doenças Mentais

O DSM é, hoje, um manual de diagnóstico estatístico de transtornos mentais.


As primeiras duas versões (publicadas em 1952 e 1968) tiveram fortes concepções influenciadas pela psicanálise, mas, a partir dos anos 70, o crescimento da psiquiatra biológica e da farmacologia provocou uma ruptura, uma vez que confrontavam diretamente com a teoria psicanalítica.


A terceira edição já foi construída num modelo que busca classificar as doenças mentais, preocupando-se apenas com o aspecto biológico delas.


Posteriormente, a sua quarta versão se tornou uma força da Psiquiatria atual, havendo uma alta credibilidade e uma linguagem universal, porém a partir de uma perspectiva em que o sujeito é definido pelo seu sintoma.





Os diagnósticos começaram a ficar “fáceis” e banalizados e as medicações receitadas cada vez mais de forma indiscriminada, dado que, além de tudo, a indústria farmacêutica é uma grande potência lucrativa.


Nesse caminho, a psicopatologia foi se tornando reducionista: se você se sente assim, tem esses sintomas, durante tanto tempo, você se enquadra no diagnóstico de “...” e , para isso, vamos medicar seus sintomas! Repetindo: medicar os SINTOMAS! Os sintomas muitas vezes é uma solução que o sujeito encontrou para lidar com suas questões e, com isso, há muita coisa por detrás dele que deve ser trabalhada... não é simplesmente tratar o sintoma! O sintoma também tem um lugar na história do sujeito, por isso deve-se escuta-lo e entender o que atravessa esse contexto.


Como Pereira (2000) colocou, o DSM acabou excluindo, em sua prática, todas as teorias em que o sofrimento psíquico NÃO é abordado a partir de definições convencionais, como a Psicanálise que repousa sua escuta para além do que está aparente.


A 5a e última versão do DSM foi publicada em 2014 e é altamente utilizada (ainda) até hoje. Tentam padronizar algo tão subjetivo... mas a luta e a aposta numa clínica do singular existe e estamos aqui em prol desta causa! Vamos nos conscientizar cada vez mais de que o diagnóstico é sempre do caso a caso e o tratamento sempre singular!

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