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Conheça

Conheça a Psicanálise
 

Dúvidas Frequentes

A Psicanálise e o Inconsciente
01.

O que é a Psicanálise?

A Psicanálise é uma prática clínica da área da saúde mental, distinta da Psicologia e da Psiquiatria por se orientar pela escuta do inconsciente.​ Enquanto a Psicologia reúne diferentes abordagens teóricas para trabalhar comportamentos e sentimentos, a Psiquiatria se dedica ao tratamento médico e medicamentoso dos transtornos mentais. Já a Psicanálise sustenta um espaço de fala para além de diagnósticos, onde o sujeito pode elaborar sobre sua própria história, tornando-se menos alienado da sua verdade e mais responsável pelas suas questões, desejos e escolhas.

O inconsciente não é um lugar oculto e distante, mas algo que manifesta naquilo que dizemos, repetimos e vivemos sem perceber. Uma análise permite escutar esse lapsos, traços, satisfações, sintomas e fantasias, transformando a relação com o próprio sofrimento, deixando de ser algo estranho e alheio a si mesmo. A partir disso, o sujeito pode entender mais sua lógica singular subjetiva e atravessar seus fantasmas, conseguindo alcançar uma nova posição e inventar outras formas de viver.

02.

Como a Psicanálise atua?

A psicanálise atua pela palavra, abrindo um espaço de escuta onde o paciente pode se implicar no que diz e se escutar a partir de um outro lugar. Por trabalhar o inconsciente, a psicanálise é diferente de uma terapia convencional, sendo um processo que nomeamos de análise. Nesse processo, trabalha-se não só as vivências, experiências e sentimentos que estão aparentes, como também aquilo que está por detrás de tudo isso:

• as palavras (significantes) e discursos que marcam a nossa história e moldam quem somos e com quem nos identificamos;

• as soluções sintomáticas que encontramos e que nos ajudam na mesma medida em que nos adoecem;

• os modos de gozo que nos colocam em ciclos de repetição e nos paralisam pelos excessos;

• a nossa atitude frente ao nosso desejo que é o motor da nossa história, mas que pode se perder em meio de demandas que vêm do outro: o que é isso que eu quero? O que é isso que o outro quer de mim? E o que é isso que eu quero diante do que o outro quer de mim?

• as nossas idealizações e fantasias fundamentais, que nos estruturam mas também nos aprisionam em modos de operar;

• a nossa relação com a incompletude constitucional (falta-a-ser), o real psíquico e o mal-estar civilizatório.

Entre muitas outras coisas!

Portanto, vai muito além de fenômenos conscientes e aparentes, não buscando solucionar apenas a queixa trazida, mas entender como ela surgiu, quais outras se assemelham à ela, como ocorre a repetição da queixa, o ganho secundário com essa queixa e o que dessa queixa diz respeito à algo estrutural. O que se busca é o oposto de uma padronização do mal estar, sendo um espaço para que possa lidar com o que há de mais singular e particular em sua história.

Como a Psicanálise atua?
03.

Por que a Psicanálise?

Escolhi a psicanálise por lidar com o adoecimento psíquico em toda sua complexidade, ao entender que há muito mais por detrás de cada sintoma. A experiência analítica pode oferecer ao paciente uma nova possibilidade de enxergar o mundo, a si mesmo e as coisas que o acontecem, não mais alienado e misturado com as queixas, mas conseguindo se ver de fora da cena. Dessa forma, ao reconstruir um saber sobre si mesmo, o paciente pode mudar sua posição frente às suas questões, sintomas, desejos e modos de satisfação. Nesse processo, quanto menos alienado de suas próprias particularidades e contradições, mais consegue compreender seu funcionamento subjetivo. Claro que haverão recaídas, repetições e resistências em fazer diferente do que sempre se habituou. Quanto mais se permite elaborar e atravessar essa experiência, mais consegue se desinflar das defesas e deixar seus sintoma deslocarem.

 

A grande reviravolta que a psicanálise nos ensina é o apreço que temos pelo nosso próprio sofrimento, por mais paradoxal que isso soe. Caminhar nesse percurso requer uma grande desconstrução, vendo que não se trata de uma lógica racional e linear, mas sim singular. Com efeito, podemos dizer que a saúde mental que a psicanálise proporciona não é ajustar o paciente em um modo de funcionamento idealizado (e inalcançável), mas ajudar o paciente a enxergar suas próprias loucuras e saber fazer diante delas.

Porquê a Psicanálise?
Psicoterapia x análise
04.

Qual a diferença entre psicoterapia psicanalítica e análise?

Uma análise não começa de imediato, a psicoterapia psicanalítica é o que acontece no momento em que um paciente procura um psicanalista e começa a fazer sessões, até o momento em que ele faz uma virada no discurso: não mais querendo resolver seus sintomas, mas sim desejando saber sobre si mesmo. Esse processo se passa por algumas transições:

– é preciso de um vínculo entre o profissional e o paciente mais estabelecido, que chamamos de transferência, para o próprio psicanalista apostar em intervenções mais delicadas e desafiadoras.

 – é preciso que o paciente saia de uma posição de relato para poder ter um dizer mais assertivo e objetivo com suas questões e sintomas, que é o que chamamos de BEM-DIZER.

– é preciso que o paciente saia de uma posição de vítima para poder se implicar no seu próprio sofrimento e entender como contribui com ele e se responsabilizar.

– é preciso que o paciente filtre menos o que fala e consiga se expressar da forma mais livre possível, que é o que nomeamos de associação livre.

O tempo para esse processo de análise se estabelecer não é cronológico, às vezes o paciente precisa atravessar alguns anos de terapia para suportar e desejar fazer essa virada. Não é um processo simples, é muito desafiador sair de uma posição de reclamação e desabafo para estar disposto a aprofundar nas suas próprias contradições internas.

Ultrapassada?
05.

Qual a diferença entre Psicanálise Freudiana e Lacaniana?

A Psicanálise surgiu com Freud no final do século XIX, tendo uma das suas primeiras obras publicadas em 1895. Apesar dele ser o fundador e principal precursor da psicanálise, o desenvolvimento da teoria ficou limitado `à época em que ele vivia. O próprio Lacan se dizia ser Freudiano, mas o que Lacan pôde fazer foi avançar em desenvolvimentos teóricos, dando seguimento à estruturação da psicanálise e aprofundando em conceitos formulados por Freud. Ele também pôde atualizar mais a psicanálise a partir das perspectivas de um novo século, tendo começado seus estudos na área na década 20. Ele reforçou a importância de alcançarmos no horizonte a subjetividade da época em que vivemos. Posteriormente, seu genro, Jacques-Alain Miller, deu seguimento ao desenvolvimento da teoria a partir da década de 60. Podemos dizer que Lacan conseguiu não só atualizar a teoria, mas aprofundar mais no desenvolvimento dela.

Pode-se resumir que as principais diferenças teóricas estão no fato de que Freud estruturou o inconsciente a partir de uma ideia de camadas a serem acessadas, ou seja, de informações, desejos e experiências reprimidas que poderiam vir à tona na consciência. Já Lacan repensou o inconsciente a partir da linguística, focando nas palavras, significantes e discursos como grandes influenciadores da nossa constituição psíquica. Além de pensar o inconsciente como um nó amarrado por três diferentes registros (e não em camadas), onde nos seus últimos ensinos deu destaque aos atos analíticos e à experiência do inconsciente como um lapso no real. Isso acarreta em inúmeras considerações que precisariam de infinitas aulas para elucidar...

 

Muitas vezes na prática isso é vivenciado com uma experiência que abre espaço pro furo, cortes e intervenções no tempo da fala. N˜åo é um processo só de elaboração em que se busca apenas entender o sentido singular dos sintomas. Mas também um processo que permite vivenciar intervenções que perturbam o sentido e abrem espaço para fazer vacilar o modo gozoso que sempre retorna, ressoando em deslocamentos mais profundos.

Mas isso tudo não quer dizer que um psicanalista de orientação Lacaniana não possa fazer uma intervenção inspirada na raiz da teoria e, portanto, mais Freudiana. Uma coisa não se separa totalmente da outra, afinal a ética que sustenta a psicanálise é sempre a mesma.

Lacan x Freud
06.

A Psicanálise está Ultrapassada?

A psicanálise é uma teoria que desde seu nascimento, com Freud, sofreu inúmeros preconceitos, uma vez que ela trabalha o inconsciente, algo abstrato, impossível de ser quantificado ou medido pela ciência clássica. Sem contar com o estranhamento que causou nas pessoas por abordar temas tão recalcados em nós e, por isso, tanta resistência. Afinal, muitos preferem defender sua imagem narcísica ao invés de encarar as próprias peculiaridades subjetivas. O mundo de hoje contribui com mais estigmas ainda, pois é um mundo imediatista e, assim sendo, as pessoas querem respostas rápidas que resolvam os seus problemas. Se pensarmos por esse lado, a psicanálise é avessa a essa lógica contemporânea. Mas o que muitas pessoas compram em busca de soluções rápidas são ilusões, porque não tem como tudo saber e tudo responder. A psicanálise não está alheia à isso, portanto é uma prática clínica que realmente aposta num processo de longo prazo – sem reduzir, simplificar ou generalizar questões subjetivas, abrindo espaço para elaborações profundas, mudanças complexas e atravessamentos estruturais. Difícil ir na contramão de uma lógica de mercado que quer oferecer ao sujeito aquilo que lhe falta, criando uma demanda vorás para consumir o que lhe parece completar, todavia, o que a psicanálise nos mostra é que isso é impossível e insustentável, então ela frustrará essa demanda e abrirá espaço para outra ser construída ao longo do processo!

Além disso, infelizmente existem praticantes de psicanálise que se prendem no imaginário da figura do analista e adotam uma posicionamento muito silencioso, fechado e ríspido, esperando que o paciente já chegue em análise. Quando não há uma postura ética de respeitar o tempo do próprio sujeito no processo, pode-se muitas vezes provocar angústia ao ponto de inibir o desejo do paciente pela experiência de análise. Importante termos em mente, portanto, que a psicanálise não está ultrapassada, e sim uma postura enrijecida frente à ela.

 

É preciso, pois, informar: a psicanálise não está desatualizada, ela é estudada na subjetividade do nosso tempo, continuando a fazer reformulações teóricas e clínicas. Os estudos teóricos são constantes, havendo seminários ao redor do mundo para discutir e analisar os fenômenos sociais e seus efeitos, como também diversas publicações científicas, pesquisas, livros, jornadas e até grupos de estudos (chamados de cartéis) que são conduzidos nas escolas de psicanálise pelo mundo. A sustentação da psicanálise é respaldada, pois, em um compromisso ético contínuo com a atualidade.

Frases

Frases para Refletir

"Sou aonde não penso" (LACAN)

"A voz do inconsciente é sutil, mas ela não descansa até ser ouvida" (FREUD)

"Até você se tornar consciente, o inconsciente vai dirigir sua vida e você irá chamar-lo de destino" (JUNG)

"A psicanálise não é uma prática de relaxamento, adormecimento, harmonização: é uma prática do despertar. A gente deita no divã para não dormir na vida" (PFEIL)

"A psicanálise pode ser tudo, menos complacente com nosso profundo desejo de iludirmos a nós mesmos" (MEZAN)

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